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Na Casa da Minha Mãe – nota de intenções
Só há umas semanas me dei conta de que este livro sou eu. O segundo romance, a segunda filha. A associação ocorreu-me quando senti agudas dores de parto (não tenho como fugir a estas metáforas), idênticas às dores que a minha mãe sentiu no meu nascimento. O parto foi especialmente doloroso. O meu pai estava…
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Na Casa da Minha Mãe p/ Fátima Vieira – Univ Porto
“Há uma quantidade industrial de livros escritos no presente”, declarou a Prémio Nobel da Literatura Annie Ernaux ao Louisiana Channel. Referia-se à literatura contemporânea, que parece cada vez mais desinteressada pelo uso de tempos verbais que convocam o passado. “Estamos a extinguir a profundidade do tempo exprimida pela língua” – lamentou. O problema, segundo Ernaux,…
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O Quarto do Bebé p/ Ana Gabriela Macedo – Univ. Minho
Momento 1 Foram muitos os livros escritos sobre a pandemia, e o tempo/ não tempo pandémico. Procurando as formas de dizer o indizível – a dor, o medo, o desconhecido, o abismo, mas também o seu reverso – a solidariedade, a partilha, a abnegação, o esquecimento de si, o silêncio em todo o seu esplendor.…
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O quarto do bebê
“A linguagem de O quarto do bebê é muito trabalhada e expressa o tumulto de vozes a que se refere a narradora-leitora. É um delírio pensado, um escrever racionalmente a desrazão. O desfecho é belo e forte. E não poderia faltar a esse quarto o velho e bom Conselheiro Aires.” Milton Hatoum Em O quarto do bebê (Bazar do Tempo),…
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A minha mãe infatigável (que nunca conheceu Maria Lamas)
Não guardo nem tenho vestígio da primeira palavra que disse. Por estranho que pareça, nunca me lembrei de o perguntar à minha mãe. No instante em que escrevo, surge-me a palavra “choro”. Mas claro que uma criança não começa por dizer choro. Uma criança chora. Eu chorava, e não sei por que chorava. A razão que…
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Porque sou feminista
O meu nome é Anabela Mota Ribeiro, nasci em Trás os Montes em 1971. Esta frase, tão simples, contém apenas alguns elementos de identificação. É o núcleo a partir do qual vou falar convosco sobre pequenos e grandes delírios domésticos. Por doméstico vamos considerar a casa, a família, uma certa atmosfera, um espaço habitado por…
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Escrever: para quem e porquê – o problema dos filhos e o legado da nossa miséria em Machado de Assis
Recentemente, reli Dom Casmurro num velho exemplar onde identifiquei as anotações e sublinhados da minha segunda leitura do romance, em 2013. O exercício permite-me replicar as palavras do narrador e afirmar: se o rosto era igual, a fisionomia era diferente. Surpreendeu-me que há quase dez anos a fisionomia do livro já identificava o tema dos…
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“Nadam-me peixes no sangue”: os bichos, os rios e a boa carnadura de Saramago
“Os meus pais sacrificaram-se muito e deram-me estudos para ir para a universidade? Não, tive estudos que estavam ao meu alcance e ao alcance da bolsa da família: estudei para ser serralheiro mecânico. Fui serralheiro mecânico. Depois fui várias coisas ao longo da vida. Li muito. Livros meus só os tive quando tinha 19 anos,…
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Marta Mateus e Maria Catarina Sapata – Fogo do Vento
Em Fogo do Vento vemos o entrançado do Tempo, a seiva e o sangue, pão e vinho, uma cobra e um boi, vinhas e sobreiros. Marta Mateus filma o trabalho, o bicho do dinheiro que tem muitas patas, a luta de classes, os que têm “os pés descalços, geladinhos”, os que dizem que “a tontura da fome…
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Fuck Fascism: Freedom Day Forever – 25 Abril na Univ. San Diego
1. “Os meus pais trabalharam na construção civil durante muito tempo. O meu pai trabalhou em pedreiras. A minha mãe em limpezas. Tinham sempre dois trabalhos, pelo menos. A minha mãe, às vezes, tinha três. O nome deste programa, Os Filhos da Madrugada: nós somos os filhos daqueles que se levantavam de madrugada para trabalhar,…
