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Na Casa da Minha Mãe – nota de intenções
Só há umas semanas me dei conta de que este livro sou eu. O segundo romance, a segunda filha. A associação ocorreu-me quando senti agudas dores de parto (não tenho como fugir a estas metáforas), idênticas às dores que a minha mãe sentiu no meu nascimento. O parto foi especialmente doloroso. O meu pai estava na tropa, a meses de ser mobilizado para a guerra colonial. Escrever este livro devolveu-me a um tempo primordial. No…
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Na Casa da Minha Mãe p/ Fátima Vieira – Univ Porto
“Há uma quantidade industrial de livros escritos no presente”, declarou a Prémio Nobel da Literatura Annie Ernaux ao Louisiana Channel. Referia-se à literatura contemporânea, que parece cada vez mais desinteressada pelo uso de tempos verbais que convocam o passado. “Estamos a extinguir a profundidade do tempo exprimida pela língua” – lamentou. O problema, segundo Ernaux, é que a memória e a esperança estão interligadas. Precisamos sempre das três dimensões: memória do passado, fruição do presente…
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O Quarto do Bebé p/ Ana Gabriela Macedo – Univ. Minho
Momento 1 Foram muitos os livros escritos sobre a pandemia, e o tempo/ não tempo pandémico. Procurando as formas de dizer o indizível – a dor, o medo, o desconhecido, o abismo, mas também o seu reverso – a solidariedade, a partilha, a abnegação, o esquecimento de si, o silêncio em todo o seu esplendor. Os processos catárticos assim o exigem: a necessidade humana de expurgar o mal, confrontar os nossos fantasmas. E aí, a…
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O quarto do bebê
“A linguagem de O quarto do bebê é muito trabalhada e expressa o tumulto de vozes a que se refere a narradora-leitora. É um delírio pensado, um escrever racionalmente a desrazão. O desfecho é belo e forte. E não poderia faltar a esse quarto o velho e bom Conselheiro Aires.” Milton Hatoum Em O quarto do bebê (Bazar do Tempo), romance de estreia da escritora e jornalista portuguesa Anabela Mota Ribeiro, a morte de um renomado psicanalista leva sua filha…
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A minha mãe infatigável (que nunca conheceu Maria Lamas)
Não guardo nem tenho vestígio da primeira palavra que disse. Por estranho que pareça, nunca me lembrei de o perguntar à minha mãe. No instante em que escrevo, surge-me a palavra “choro”. Mas claro que uma criança não começa por dizer choro. Uma criança chora. Eu chorava, e não sei por que chorava. A razão que encontro para não ter perguntado à minha mãe é prosaica: a minha mãe tinha mais que fazer que anotar num caderno ou álbum as…
