viagens

  • Macau

    Como é que se diz O Sole Mio em mandarim (ou cantonês)? O gondoleiro veste calças pretas, camisa riscada, chapéu de palha e fita vermelha. Maneja o remo com destreza, desliza na água azul-piscina. Os passeantes abraçam-se como amantes de Veneza, sorriem, tiram fotografias. Têm uma felicidade atónita, o paraíso é mesmo ali. Talvez lhes… Continue reading

  • As Casas de Pablo Neruda

    Quando se fala das casas de Pablo Neruda, fala-se de Isla Negra, La Chascona, da casa de Valparaíso. São casas-barco de onde se vê o mar, porto seguro do poeta chileno. Parecem-se umas às outras e não se parecem às outras casas. Em todas há objectos recolhidos entre os sete mares, mercados, antiquários. São uma… Continue reading

  • Em Budapeste, c/ Chico Buarque

    Vanda perguntara-lhe dias antes: «Budapeste?, e o que tem para fazer em Budapeste? Era difícil responder. Olhar o Danúbio?, tomar licores?, ouvir poetas?». Vanda preferiu Londres, e José Costa, que na minha imaginação tem os olhos aquosos de Chico Buarque, meteu-se num avião para ver que Budapeste é amarela, o Danúbio é de chumbo e… Continue reading

  • A casa de Freud

    Freud escreveu numa carta datada de Agosto de 1938: “20 Maresfield Gardens será a nossa última morada neste planeta, mas não poderá ser ocupada antes do fim de Setembro. A nossa casa!… E demasiado bonita para nós…”. A nota continha lapsos e emendas – um “espero” acrescentado na primeira frase, um “reunida” que foi riscado… Continue reading

  • Pompeia

    Visitar Pompeia é remontar ao ano 79 d.C., ver um lugar soterrado pela cinza do Vesúvio. Goethe visitou-a no século XVIII e ficou com a impressão de ser um “infeliz lugar”, sujeito durante séculos ao esquecimento e, uma vez descoberta, ao saque. O que podemos ver hoje? Uma cidade extraordinariamente organizada, próxima das nossas cidades,… Continue reading

  • Costiera Amalfitana

    Nao havia rosas em Paestum. Mas a Primavera despontava nas colunas do templo de Neptuno.  Tento imaginar quantas pessoas seriam precisas para abraçar uma coluna, se as colunas pudessem ser abraçadas. Não podem. Uma cerca de madeira protege os templos, barra o acesso. Porém, a vegetação irrompe por entre a pedra carcomida, e isso é… Continue reading

  • Deserto do Atacama (Chile)

    Puras piedras viejas. Esta frase deve ler-se com vagar, como quem soletra, fazendo uma pausa entre cada uma das palavras. Com algum desdém. Deve ler-se com a intensidade de quem pronuncia “puras piedras” como se as duas palavras formassem um sopro, um hálito acidulado, e a aliteração de “piedras viejas” fosse uma música. Experimente dizer… Continue reading

  • Sicília (c/ livro de Goethe)

    Numa segunda feira de manhã, a primeira de Abril, Goethe estava em frente a Palermo. Tinha deixado Weimar havia muito e a sua viagem a Itália aproximava-se do fim. Era outro homem, este que chegava à Sicília, de tal modo que não foi reconhecido por um cavaleiro de Malta que lhe perguntou pelo jovem impulsivo,… Continue reading

  • Itália low-cost (Veneza, Florença e Bolonha)

    A experiência de visitar Veneza tem qualquer coisa de A Rosa Púrpura do Cairo. Há um cenário de beleza idílica, com a espessura de um cartão-postal, e de repente ele ganha forma, profundidade, temperatura, e nós cabemos nele. No filme de Woody Allen, o impossível também acontece: Cecilia, a empregada de mesa que se refugia… Continue reading

  • Nápoles

    É fácil não gostar de Nápoles. Mas depois há Caravaggio. Mas depois há aquela jovem mulher que dá o peito a um velho homem. Cena perturbantíssima. Alimenta-o, misericordiosa. Um homem que podia ser o seu pai. Dizem os estudiosos de Caravaggio que é o pai. Como podem saber? A possibilidade torna a pintura mais inquietante.… Continue reading