literatura
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Millôr Fernandes
Tudo se passou em três semanas de Agosto. Primeira dificuldade: encontrar o número certo para falar com Millôr Fernandes. Passo seguinte: deixar recados no gravador ao longo de dez dias. Diários. Sem resposta. O gravador atendia assim: “Fale ou fax”. Num tom de sentença. Numa voz de velho irado. Uma vez atendeu. Que maluca era… Continue reading
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O Livro de Agustina
Uma famosa carta de Teixeira de Pascoaes de 1950, que andou desencontrada da sua dona durante algum tempo, exprime de forma notável e premonitória, (que é uma palavra que vai bem com Agustina), o que ainda hoje podemos dizer dela: que se trata de “uma escritora de raça, dotada de excepcionais qualidades visionárias ou dotadas… Continue reading
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Tatiana Salem Levy
Leio a Tatiana Salem Levy desde o primeiro romance. Ou seja, desde A Chave de Casa, editado em 2007 pela Cotovia. Tenho, por isso, uma relação antiga com as suas “palavras doídas”. Recentemente, a escritora desafiou-me a falar com ela na Embaixada do Brasil em Lisboa. Um diálogo seria sempre mais estimulante, disse-me, do que… Continue reading
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Manuel Hermínio Monteiro
A conversa que a seguir vão ouvir, aconteceu numa destas tardes de sol. Do sol radioso que encharca de esperança os primeiros dias de Primavera. Manuel Hermínio Monteiro, o mítico editor da Assírio e Alvim, refastelou-se no sofá para desfiar o novelo da sua vida cheia. Como ele diz, logo no começo, a ponta pode… Continue reading
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Nelson Rodrigues
Vamos bater um papinho. Aí você me responde: Fala. Nelson Rodrigues, você conhece esse sujeito? Como não conhece? “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei-de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um… Continue reading
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Leonor Xavier
Raul Solnado, com quem viveu, dizia: “Ai, a minha vida é tão frágil, cuidado. Se ela cair da estante parte-se aos bocados, estraga-se toda”. A vida de Leonor Xavier, contada no livro Casas Contadas, não caiu da estante e não se estragou. A obra mereceu o prémio Máxima de Literatura deste ano e a propósito… Continue reading
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Gonçalo M. Tavares
Pensemos numa célula, na membrana, no núcleo. Pensemos num mundo onde os caminhos se fazem a pé, o perímetro é desafiado, o âmago procurado. Uma célula é uma célula é uma célula. Individuada, porosa, em relação com outras células, com outros sujeitos, com outras palavras. Um escritor como Gonçalo M. Tavares é um mundo que… Continue reading
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Dinis Machado
Dinis Machado nasceu e viveu a vida toda em Lisboa. Para a história das letras portuguesa ficará como o homem que escreveu «O que diz Molero». Foi jornalista desportivo, dirigiu uma revista mítica chamada Tintim, e em 68, porque precisava de dinheiro, escreveu três policiais no espaço de um ano sob o pseudónimo Dennis McShade.… Continue reading
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Dennis McShade / Dinis Machado
Escrevi um texto a que poderia chamar “Crónica de um bom rapaz”. Ou “Dinis, um rapaz de Lisboa”. Escrevi um texto para dizer com mais precisão as coisas que eu quero dizer do Dinis e do livro “Blackpot”. Esta tarde estive a matar saudades do Dinis relendo a entrevista que ele me concedeu há cerca… Continue reading
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Rui Cardoso Martins
Fala várias vezes da aflição. Da chatice que é quando nos morre alguém, da banalidade da morte, de personagens que se suicidam e que são pessoas que ele conheceu. Fala do triunfo da vida. (Assim é que tem que ser.) Se Fosse Fácil era para os Outros, o terceiro romance, é um gesto de sobrevivência.… Continue reading
