Maria do Céu Veiga e Sara Veiga – Os Filhos da Madrugada

Se a ditadura não tivesse terminado naquela madrugada, Sara estaria condenada a repetir um padrão de vida de mulher pobre, remediada, sem estudos, sem autonomia. Estaria condenada a ficar emparedada na relação abusiva que viveu durante anos com um homem que precisava de lhe chamar burra e inútil para se sentir importante. Talvez fosse empregada doméstica, como a mãe. Talvez andasse horas, diariamente, no autocarro, com um bloco de notas onde apontaria os nomes de pessoas e de países começados por diferentes letras, para fazer um brilharete na noite de Natal, quando se juntam a jogar stop. Foi a Sara Veiga, tradutora e obviamente escritora, mesmo sem obra publicada, que me descreveu este tempo e esta biografia. Sua e da sua mãe. 

 

Os Filhos da Madrugada

Maria do Céu Veiga, reformada, 1955

Sara Veiga, tradutora, 1978

RTP3, 30 Abril, 20h

Fotografias de Estelle Valente

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